A CONVIVÊNCIA COM A SECA



 

A História do Lajedo
S. Ezequias conta que havia uma escrava que se ajoelhava no lajedo que se encontra em sua propriedade: “no tempo do cativeiro, havia aqui uma mulata que rezava ajoelhada no lajedo que tem aí no fundo da casa. Era ela rezar, que a chuva vinha, não demorava quinze dias.”

  A História do Lajedo
Esperamos nosso passo - não há rastros
só memória de um futuro que não chega,
quantas horas se ganhar, para mais perto
não estar do muito amor, é água e sol
o alimento dessa posse e desse chão
e desse povo que reluta em persistir
numa ereta existência, resistindo

(Pobreza
Álvaro Pacheco)

Seu Amado e Dona Angelina contam que a dificuldade para conseguir água era muito grande. Era preciso andar léguas e léguas para encher o carote que era transportado no lombo do burro.

Convivência com a Seca: S. Amado e D. Angelina  
As memórias dos velhos estão repletas de histórias, lendas e rituais que apelam para a compaixão divina para que a venha a chuva. Dentre estas histórias, está a do “roubo do filho de São José”: uma pessoa roubava da imagem do santo a pequena imagem do menino Jesus e organizava uma procissão para sua entrega, logo depois da chuva. Para o povo, chovia porque São José ficava triste e chorava.
A fé em São José
   

Uma Mina D’Água
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão

(Carcará
João do Vale)